
Se conduzires o carro da tua empresa, a policia pode parar-te não só para revistar, mas para te pedir se tens o teu horário de trabalho com a matricula do carro, assinado e carimbado na tua posse. Se não tiveres, a tua empresa tem de pagar cento e tal euros de multa.
Esta tarde esteve com os documentos de uma empresa e entre os quais uma multa por (mais ou menos) “condução de referente veiculo de empresa sem ser portador dos horários do condutor do veiculo referido”. Cento e tal euros ! Esta lei cumpre se…
Dito isto, não sou contra os horarios de trabalho, não sou contra o facto da policia parar carros na estrada… mas para, automaticamente revistar, saber os teus horarios… é um bocado invasão de vida privada. Um camionista… vamos indo, pode ser perigoso… mas uma Kangoo…
Eu percebo os motivos : acabar com traficos de mercadorias e acabar com os abusos.
Esta bem, mas o remédio não é mais perigoso do que a doença ?
Um dia até te vão pedir o teu histórico medico na rua, ou a factura da tua roupa ou a conformidade da tua roupa interior… sei la.
Mesmo de uma sociedade, um veiculo é privado… e os abusos que houver, a empresa sendo prejudicada, ela vai agir… e se é uma questão laboral, o funcionário também pode(ria) reclamar.
Eu, todos os dias, faço horas extraordinárias, não pagas, não recuperadas. O horário de funcionamento está escrito na porta da empresa bem a mostra… nunca veio a policia a partir das 19 horas ver o que estávamos a fazer, ou ao sábado…
O Estado não tem de saber assim tanto da minha vida. Nem quando os que criaram e permitiram estas leis (pagos por nós) responderem abertamente à pergunta “Quanto ganha?” em vez de “Não sei, tenho de ver, posso-lhe dizer mais ou menos em contos, mas não quer dizer nada…”
Já agora uma pequena fabola :
“Quando os nazis levaram os comunistas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era comunista. Quando eles prenderam os sociais-democratas, eu calei-me, porque, afinal, eu não era social-democrata. Quando eles levaram os sindicalistas, eu não protestei, porque, afinal, eu não era sindicalista. Quando levaram os judeus, eu não protestei, porque, afinal, eu não era judeu. Quando eles me levaram, não havia mais quem protestasse”
Pastor Martin Niemöller